Polpa de açaí 8%, 12% ou 14%: como escolher a concentração de sólidos totais

Por · Revisão técnica:Rodrigo Grecco
Publicado em · 8 min de leitura

Embalagem de 1,02 kg de Açaí Puro 12% de sólidos totais da Tribo Superfoods, com selos orgânicos, apoiada sobre frutos de açaí recém-colhidos

Resposta direta

A porcentagem indica quantos gramas de matéria seca de açaí há em cada 100 g de polpa: 8%, 12% ou 14%. A norma brasileira vigente (IN MAPA 37/2018) exige no mínimo 8% e que o produto seja nomeado pelo percentual. Em regra, 8% atende formulações de alta diluição, como sorvetes e bebidas; 12% é o padrão para açaiterias, food service e processamento; 14% serve a formulações premium e cardápios diferenciados.

Se você compra polpa de açaí como ingrediente, a porcentagem no rótulo é a especificação que mais pesa no custo da sua formulação: ela diz quanto açaí, de fato, entra em cada quilo que você recebe, armazena a -18 °C e transporta. Polpa 8%, 12% e 14% não são “qualidades” diferentes do mesmo produto. São concentrações diferentes, e cada uma atende melhor um tipo de aplicação. Este guia mostra o que a norma brasileira exige, qual concentração costuma fazer sentido para sorvete, bebida, bowl ou linha premium e o que conferir no laudo de cada lote.

O que são sólidos totais e por que eles mudam o rendimento?

Sólidos totais são tudo o que sobra da polpa quando se retira a água: lipídios, fibras, proteínas, açúcares naturais, minerais e compostos fenólicos. O número é expresso em gramas por 100 g de produto. Na prática:

  • Polpa 8%: 80 g de matéria seca de açaí por quilo.
  • Polpa 12%: 120 g por quilo.
  • Polpa 14%: 140 g por quilo.

A polpa de açaí comercial é obtida a partir da parte comestível do fruto, extraída com adição de água e filtrada [1]. Quanto mais água entra na extração, menor o teor de sólidos totais. Por isso a concentração é, antes de tudo, uma medida de quanto açaí e quanta água você está comprando.

Essa matéria seca não é neutra. Num estudo que comparou polpas comerciais de açaí roxo grossa, média e fina, o teor de lipídios variou de 2,94 g/100 g na polpa fina a 10,67 g/100 g na grossa, e a umidade ficou entre 82,74 e 92,00 g/100 g [2]. A fração lipídica do açaí é dominada por ácidos graxos monoinsaturados, com o ácido oleico como principal [3] [2]. O fruto também concentra antocianinas, principalmente cianidina-3-glicosídeo e cianidina-3-rutinosídeo, responsáveis pela cor roxo-violácea [4]. Em resumo: quando a concentração sobe, sobem juntos corpo, cor e sabor por quilo de polpa.

O que a legislação brasileira diz sobre as classificações fino, médio e grosso?

Aqui há uma confusão comum no mercado, e vale esclarecer antes de fechar uma especificação.

A classificação fino/médio/grosso foi revogada. Ela vinha do Anexo VI da Instrução Normativa nº 1/2000 do MAPA, que definia [5]:

Denominação antiga (IN 1/2000)Sólidos totais
Açaí fino ou popular (tipo C)de 8% a 11%
Açaí médio ou regular (tipo B)acima de 11% até 14%
Açaí grosso ou especial (tipo A)acima de 14%

Essa norma foi revogada pela Instrução Normativa nº 49/2018, que estabeleceu os padrões de identidade e qualidade de suco e polpa de fruta [6]. Os parâmetros analíticos passaram para a Instrução Normativa nº 37/2018.

O que vale hoje (IN 37/2018, Anexo II, item 6):

  • O produto se chama “Açaí, seguido do percentual de sólidos totais” — por exemplo, “Açaí 12%” [1].
  • O teor mínimo de sólidos totais é 8% [1].
  • Em base seca, a norma fixa pH entre 4,0 e 6,2, mínimo de 7 g/100 g de proteínas, 1,80 g/100 g de polifenóis totais e 0,44 g/100 g de antocianinas, e máximos de 3,2 g/100 g de acidez total (em ácido cítrico) e 6 g/100 g de açúcares totais naturais [1].
  • Sensorialmente, a emulsão deve permanecer estável mesmo aquecida a 80 °C, com cor roxo-violácea e sabor não adocicado e não azedo [1].

Curiosamente, os termos fino/popular, médio/regular e grosso/especial continuam na mesma IN 37/2018, mas para a polpa de juçara, não para o açaí [1].

O que isso significa para o seu pedido: especifique sempre o número (8%, 12% ou 14%), não o nome. “Grosso” ou “especial” pode significar coisas diferentes para fornecedores diferentes. Repare também que, na régua antiga, 12% e 14% cairiam ambos na faixa “médio”, e só acima de 14% o produto seria “grosso” [5]. O percentual elimina essa ambiguidade e é o que a norma pede hoje.

Qual concentração usar em sorvete, bebida, bowl ou formulação premium?

A escolha depende de quanto açaí a sua formulação precisa no produto final e de quanta água ou outros ingredientes você vai adicionar no seu processo. A tabela resume como a Tribo posiciona cada SKU:

CritérioPolpa 8%Polpa 12%Polpa 14%
Matéria seca de açaí por kg80 g120 g140 g
Denominação pela IN 37/2018Açaí 8%Açaí 12%Açaí 14%
Posicionamento TriboVolumeCarro-chefeLinha especial
Aplicações típicasSorvetes e gelatos, bebidas e sucos, smoothies industriais, confeitaria de alto volumeAçaiterias, food service, processamento convencional, redes de alimentação, exportação padrãoFormulações premium, cardápios exclusivos, açaiterias premium, exportação, P&D alimentar
Faz sentido quando…a formulação dilui bastante o açaí e o foco é custo por litro de produto finalvocê quer equilíbrio entre rendimento e intensidade de sabor, com padrão conhecido pelo consumidoro açaí é protagonista e o cardápio ou a marca precisa de mais corpo e cor
Armazenamento-18 °C-18 °C-18 °C

Alguns critérios práticos por aplicação:

  • Açaí para sorvete e bebidas: quando o açaí é um dos ingredientes de uma base com leite, açúcar, estabilizantes ou suco, a polpa 8% costuma bastar, porque a própria formulação já dilui o açaí. Se a sua base exige pouca água adicional e muito açaí, compare com a 12% pelo balanço de massa (próxima seção).
  • Bowl e açaí food service: a polpa de açaí 12% é o SKU mais usado por açaiterias e food service. Ela entrega o corpo que o cliente reconhece num bowl, sem o custo por kg da linha especial.
  • Formulação premium e cardápio diferenciado: a polpa 14% concentra mais lipídios, cor e sabor por quilo. Faz sentido quando a diferenciação está justamente na intensidade do açaí.

Na dúvida, o caminho mais seguro é testar duas concentrações em escala piloto, com a sua formulação real. As fichas técnicas de cada SKU estão na página de produtos e fichas técnicas.

Como a concentração afeta custo por litro e sabor?

Sem falar de preço, dá para comparar concentrações pela matéria seca de açaí que cada uma entrega. É uma conta simples de balanço de massa:

Para obter a mesma quantidade de sólidos de açaí que…você precisa de
1 kg de polpa 14% (140 g)1,17 kg de polpa 12% ou 1,75 kg de polpa 8%
1 kg de polpa 12% (120 g)1,5 kg de polpa 8%

Três consequências para o seu custo total:

  1. Logística e frio. Concentrações maiores transportam e armazenam menos água por unidade de açaí. Em cadeia congelada a -18 °C, isso pesa no frete refrigerado e no espaço de câmara por palete.
  2. Rendimento na sua planta. Se o seu processo adiciona água, uma polpa mais concentrada rende mais litros de produto final por quilo comprado. Se o seu processo não adiciona água, a concentração que você compra é a concentração que o cliente final recebe.
  3. Sabor e textura. Como lipídios, antocianinas e demais sólidos acompanham a concentração [2] [4], a polpa mais diluída tende a dar um produto menos encorpado e de cor menos intensa. Compare sempre o custo por litro de produto final com o resultado sensorial que você precisa entregar.

O cálculo certo, portanto, não é “qual polpa custa menos por kg”, e sim “qual polpa entrega o teor de açaí da minha formulação com o menor custo por litro de produto final, incluindo frete e frio”. Para montar essa conta com os seus volumes, fale com o comercial pela página para indústrias.

Como conferir a concentração no laudo do lote?

Na Tribo, cada lote de produção sai com laudo microbiológico e físico-químico, emitido por lote de produção. O laudo é a sua garantia de que o que chegou é o que foi especificado. Um roteiro de conferência:

  1. Bata o número do lote. O lote do laudo precisa ser o mesmo impresso na embalagem e na nota.
  2. Confira os sólidos totais. O resultado físico-químico deve corresponder ao SKU contratado e à faixa de aceitação da ficha técnica.
  3. Compare os parâmetros da IN 37/2018 em base seca. pH, proteínas, polifenóis, antocianinas, acidez e açúcares totais são expressos por grama de matéria seca [1]. Por isso servem para avaliar a autenticidade do açaí em qualquer concentração: uma polpa 8% e uma 14% legítimas devem atender os mesmos limites em base seca.
  4. Verifique o microbiológico contra os limites que a sua equipe de qualidade usa na homologação.
  5. Cheque fabricação, validade e frio. As polpas da Tribo têm validade de 24 meses a partir da fabricação, mantidas a -18 °C ou abaixo. Registre a temperatura no recebimento.
  6. Identifique o laboratório emissor e o método analítico informado no laudo. Os laudos da Tribo são emitidos pelo Laboratório de Multianálises da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Se a sua operação faz análise de recebimento própria, use o laudo do lote como referência para comparar resultados.

Próximo passo: especificar e testar

Para homologar uma concentração, o caminho é curto: solicite a ficha técnica e uma amostra de cada SKU que faz sentido para a sua aplicação, com o laudo do lote correspondente. O pedido mínimo é de 1 palete (1.000 a 1.200 kg conforme o SKU), a produção é sob encomenda em 15 dias úteis e a capacidade chega a 120 t/mês por SKU na safra. As polpas são 100% açaí, sem açúcar, conservantes ou corantes, com certificação orgânica Brasil, UE, USDA e Canadá, processo com HACCP e certificação Halal. O time comercial responde em até 24 horas.

Perguntas frequentes

Posso diluir a polpa 14% para chegar ao equivalente a 12% ou 8%?

Do ponto de vista de balanço de massa, sim: 1 kg de polpa 14% tem a mesma quantidade de sólidos de açaí que cerca de 1,17 kg de polpa 12% ou 1,75 kg de polpa 8%. A diluição deve ser feita com água potável, sob as boas práticas da sua planta, e o rótulo do seu produto final precisa refletir o que você entrega. Valide sabor e textura em escala piloto antes de mudar a formulação.

A polpa de açaí 12% tem açúcar, conservante ou corante?

Na Tribo, não. As polpas 8%, 12% e 14% são 100% açaí, sem açúcar, sem conservantes e sem corantes. A diferença entre os SKUs vem do teor natural de sólidos totais obtido na extração, não da adição de ingredientes.

O que significa 'açaí grosso', 'médio' e 'fino' hoje?

São nomes da antiga classificação do MAPA (IN 1/2000), revogada em 2018: fino ou popular de 8% a 11%, médio ou regular acima de 11% até 14% e grosso ou especial acima de 14% de sólidos totais. A norma vigente pede que o produto seja identificado pelo percentual de sólidos totais, com mínimo de 8%. Os nomes antigos ainda circulam no mercado, então vale sempre especificar o número no pedido.

Como sei se o lote recebido tem mesmo a concentração contratada?

Confira o resultado de sólidos totais no laudo físico-químico do lote, que a Tribo emite por lote de produção, e compare com a ficha técnica do SKU. O número do lote no laudo deve ser o mesmo da embalagem. Se quiser, faça sua própria análise de recebimento por amostragem.

Qual é o pedido mínimo e o prazo para testar uma concentração nova?

O pedido mínimo é de 1 palete (1.000 a 1.200 kg conforme o SKU), com produção sob encomenda em 15 dias úteis. Antes disso, é possível solicitar amostra de cada SKU com o laudo do lote correspondente; o time comercial responde em até 24 horas.

Referências

  1. Instrução Normativa nº 37, de 1º de outubro de 2018 — Estabelece os parâmetros analíticos de suco e de polpa de frutas (Anexo II, item 6: Açaí). Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento — Secretaria de Defesa Agropecuária (Diário Oficial da União, 08/10/2018). 2018. Disponível em:in.gov.br. Acesso em29 de outubro de 2026.
  2. Minighin EC, Anastácio LR, Melo JOF, Labanca RA. Açaí (Euterpe oleracea) e suas contribuições para alcance da ingestão diária aceitável de ácidos graxos essenciais. Research, Society and Development, v. 9, n. 8. 2020. DOI: 10.33448/rsd-v9i8.6116. Acesso em29 de outubro de 2026.
  3. Schauss AG, Wu X, Prior RL, Ou B, Patel D, Huang D, Kababick JP. Phytochemical and nutrient composition of the freeze-dried Amazonian palm berry, Euterpe oleraceae Mart. (acai). Journal of Agricultural and Food Chemistry, v. 54, n. 22, p. 8598–8603. 2006. DOI: 10.1021/jf060976g. Acesso em29 de outubro de 2026.
  4. Yamaguchi KKL, Pereira LFR, Lamarão CV, Lima ES, Veiga-Junior VF. Amazon acai: chemistry and biological activities: a review. Food Chemistry, v. 179, p. 137–151. 2015. DOI: 10.1016/j.foodchem.2015.01.055. Acesso em29 de outubro de 2026.
  5. Instrução Normativa nº 1, de 7 de janeiro de 2000 — Anexo VI: Regulamento técnico para fixação dos padrões de identidade e qualidade para polpa de açaí (revogada). Ministério da Agricultura e do Abastecimento (cópia do texto hospedada pela UFRRJ). 2000. Disponível em:laboratorios.ufrrj.br. Acesso em29 de outubro de 2026.
  6. Instrução Normativa nº 49, de 26 de setembro de 2018 — Padrões de identidade e qualidade de suco e polpa de fruta. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Diário Oficial da União, 27/09/2018). 2018. Disponível em:in.gov.br. Acesso em29 de outubro de 2026.